Um luxinho só: conto, crônica, poesia

Que carta você escreveria a D. João VI? Que significado tem a chuva para a vida? De que forma você ama? Que detalhes do cotidiano observa? Quais dramas humanos amargam seu dia, tiram seu sono? Quem não gostaria de romper amarras, atravessar fronteiras, esnobar hierarquias, viver pelos ares, sem rédeas? Como não se comover com a inocência de uma criança inquieta? Já sentiu o cheiro da flor do boldo? Já conversou com bichinho de estimação? Quantas pessoas amadas já perdeu para a figura da foice? O belo presente da vida vem num pacote que se abre aos poucos, no transcurso do tempo trançado pelo espanto, pela dor, pelo prazer e desprazer… um mar de sentimentos, um corredor de limitações, um mundo de possibilidades ofertadas numa bandeja, com diferentes itens para cada pessoa. Projetos morrem na prancheta; sonhos resistem ou fenecem. E a felicidade lá longe, num pico por vezes inatingível. Por quê? De um privilégio todos gostariam de usufruir: ter um titio que more bem pertinho das estrelas.

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