Para compreender a religião

Definir não é uma tarefa fácil. Etimologicamente, definir implica determinar, estabelecer com precisão, indicar o significado preciso de algo, fixar os limites, demarcar, delimitar. O que sugere que todo exercício de definição requer um grau altíssimo de rigorosidade por parte de quem define. Não obstante a isso, saindo do campo etimológico, poderíamos dizer que “definir” envolve mais do que rigorosidade. No meio de todo esse processo delimitador, é certo que surgirão muitas discordâncias quanto aos significados dados. Isso porque nem todos pensam da mesma forma ou compartilham dos mesmos pressupostos metodológicos e epistemológicos. O termo “religião” é um desses conceitos que não passa pelo crivo da concordância de significado. A pergunta por sua definição tem levantado intenso e acalorado debate nos estudos de religião. Enquanto alguns afirmam que “religião” é caracterizada pela crença em seres espirituais, outros respondem que não, e dizem que “religião” é caracterizada pela promessa de salvação. Na busca por definição, pensadores cristãos têm em mente categorias cristãs, pensadores adeptos ou não de outras religiões, mas que têm seu universo de pensamento enraizado nelas, se valem de suas categorias para definir “religião”. De fato, assim como a maioria dos conceitos envolvidos em grandes embates teóricos, o termo “religião” é um daqueles termos que, muito provavelmente, nunca terá consenso.

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