Dia dos mortos

“(…) existe um refúgio qualquer, eu pensava. Na saída, um cheiro de flor, terra molhada, na rua em frente, a vida seguia. Ao atravessar o jardim florido, muito cuidado. “Notou como as plantas crescem fácil por aqui? ”, perguntaram-me e por resposta consegui apenas uma vaga afirmação com a cabeça. Olhar o céu azul com aquela expressão de sempre. Devia cair alguma coisa sobre nossas cabeças, pensava. Na manhã seguinte, qualquer coisa alegre parecia irritante. Seguiam-se as ocupações normais, somente a perplexidade deixava que as horas corressem mais mudas que de costume. Numa ressaca reflexiva, intoxicada de comoção.” Sobre a autora: Adriana Salerno nasceu em 1982, em São Paulo. É jornalista e fez reportagens sobre teatro, dança, literatura e exposições, entre outras. Trabalha ainda com revisão de textos e preparação de livros. Colabora nos últimos anos com a Revista Ocas’, um projeto voltado a reconstruir a dignidade de pessoas em situação de rua. Participou da coletânea de contos Quarentena: Memórias de um país confinado, recentemente publicada, e da seleção de poesias Registros Femininos – Coletânea de autoras brasileiras contemporâneas.

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