Linguagem, Arte e o Político

A escolha temática desta edição do ENELIN se mostrou muito profícua e acertada, justamente por ter sido pensada em um momento em que os afetos (no sentido psicanalítico de afetação) têm se mostrado tão desordenados e exacerbados, em especial o ódio, a intolerância e o medo que parecem estar no centro das relações político-sociais na atualidade. As atividades promovidas durante o evento, destacadamente as intervenções artísticas, fizeram circular outros tipos de afeto e outros sentidos, salientando a importância da criação e da sublimação que a arte, em suas mais variadas formas, é capaz de mobilizar, ao produzir encantamento, estranhamento, horror, fascínio e deslocamento. É aí que entra a linguagem, com sua força material, e o político, não no sentido de partidarismo, mas como presentificação da contradição, da divisão constitutiva do sujeito e da linguagem e da possibilidade de o sentido vir a ser outro, em função dos gestos de interpretação que advêm do acontecimento discursivo e de suas condições de produção.

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