Sadopopulismo: de Putin a Bolsonaro

Este ensaio é uma tentativa de aplacar a perplexidade diante do que estamos experimentando. Meu horizonte mais ambicioso é, tanto quanto possível, compreender o que nos trouxe até aqui, com vistas a orientar ações políticas consequentes, capazes de nos tirar do atoleiro em que nos encontramos. (..) Não falta quem agora sonhe com a volta à pasmaceira experimentada pelos progressistas no período petista. Não é meu caso. A travessia que nos cabe é perigosa e exigente, mas também instigante e ao menos potencialmente interessante. É, de qualquer maneira, em horas como esta que a vida intelectual tem que dizer a que veio.” Para o historiador norte-americano Timothy Snyder, surge no mundo uma nova forma de fazer política, o sadopopulismo. Funciona assim: em vez de tentar solucionar problemas, o governante deliberadamente fomenta crises que geram dor, ansiedade e medo (daí a referência ao sadismo); criados esses sentimentos, ele os toma como recursos a serem explorados, procurando incansavelmente incentivar seus apoiadores a descarregar suas angústias em outras parcelas da população ou em estrangeiros. No fundo, o sadopopulista martela uma única e mesma mensagem a seus eleitores: ‘A vida é crise, um vale de lágrimas, e nada posso fazer para mudar isso. Mas resta o consolo de saber que outras pessoas sofrem mais do que vocês. Melhor ainda: eu os autorizo a fazê-las sofrer, a agredi-las, a odiá-las’. Neste livro, Fábio Lopes da Silva retraça as origens do sadopopulismo e sua chegada ao Brasil, via Jair Bolsonaro. O autor mostra ainda os limites atuais do progressismo brasileiro em sua oposição ao sadopopulismo. Por fim, especula sobre o futuro do governo Bolsonaro e o que os progressistas podem fazer a respeito. Fábio Lopes da Silva é doutor em Linguística pela Unicamp e, desde 1994, professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Nos últimos anos, tem visitado regularmente a Universidade de Yale (EUA), onde trabalha em colaboração com o historiador americano Timothy Snyder. É autor dos livros O direito à fala (Insular, 2001) e A linguística que nos faz falhar (Parábola, 2009), além de um grande número de ensaios publicados em revistas científicas e suplementos culturais. Já foi diretor da Editora da UFSC e é roteirista de televisão, com mais de 120 episódios produzidos para programas como Brasil Visto de Cima e Mundo Museu.

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